Filosofia, paz e amor......
 
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Nietzsche nasceu na Prússia em 1844. Aos 4 anos, seu pai, um pastor luterano, morreu louco. Passou a infância com a mãe, a avó e duas tias. Em 1858, entrou no colégio interno e, apesar da saúde frágil, prosseguiu os estudos, dedicando-se à teologia e à filologia clássica, sendo influenciado por Kant, Schopenhauer e pelo compositor Richard Wagner. Distinguiu-se tanto em seus estudos que foi indicado aos 24 anos para a cadeira de Filologia, em Basel

Principais trabalhos

Em seu Nascimento da Tragédia, Nietzsche desafia o ponto de vista de Schopenhauer de que a resposta apolínica aos excessos dionisíacos é antes apática que propriamente heróica. (Dionísio, o deus grego do vinho, é associado na cultura grega à libertinagem.) Sua obra Gay Science, de 1883, explora o tema do auto-domínio, a relação entre a razão e o poder, e a revelação de que é a busca inconsciente do poder que gera a verdadeira energia para a aparente abnegação dos ascéticos e dos mártires.

O Legado de Nietzsche

Em 1889, Nietzsche, incapaz de suportar a visão de um cavalo sendo açoitado, sofreu um colapso mental. Ficou clinicamente perturbado pelo resto de seus dias, morrendo aos 44 anos. Nietzsche é insuperável em seu discernimento e sua crítica poderosa do ambiente moral no século XIX. Ele enfatiza o "desejo de poder" que é a base da natureza humana, o "ressentimento" que nasce quando é negada essa base na ação, e a corrupção da natureza humana encorajada por religiões como o cristianismo, que se alimentam do ressentimento. Ele introduziu também o conceito do Ubermensch (o Sobre Humano) ou Superhomem - aquele que tem o domínio sobre suas paixões, superou a agitação sem rumo da vida comum e deu ao seu próprio caráter um estilo criativo e individual.


O Super Homem (Übermensch)

E assim falou Zarathustra ao povo:

"Mostro-vos o super-homem. O homem é algo que deve ser sobrepujado. Que tendes feito para sobrepujá-lo ? "Todos os seres até hoje criaram alguma coisa superior a si mesmos; e vós quereis ser o refluxo deste grande fluxo e até mesmo retroceder às bestas, em vez de superar o homem?"

Friedrich Nietzsche, "Prólogo de Zarathustra" Assim falou Zarathustra (1883)

O Übermensch de Friedrich Nietzsche sofreu uma das mais espantosas transformações culturais -- de homem estóico, não convencional, a Homem de Aço. Os quadrinhos criados por Siegel e Shuster, pouco têm em comum com o original de Nietzsche, além do nome, e até mesmo aí diferem. "Übermensch" literalmente significa "sobre-humano", não "super-homem", embora o último termo seja usado nas traduções mais antigas de Assim falou Zarathustra, e tenha sido utilizado por George Bernard Shaw em Homem e Super-homem.

O personagem que prega o "sobre-humano" é Zarathustra (também conhecido como Zoroastro), um profeta Persa do sexto século a.C., que atua como máscara profética/poética de Nietzsche. Contrariamente ao que você poderia pensar, Zarathustra não está falando de um super intelecto imerso em uma massa de músculos ou de qualquer outro "evoluído" espécime da humanidade. Na verdade, todos nós, homens e mulheres (mensch -- ser humano -- é do gênero neutro) somos super-homens potenciais. Para isso, não precisamos de mais ginástica ou de algum elixir da inteligência, mas de coragem e vontade, já que nossos maiores obstáculos são o medo e o hábito.

No alicerce do conceito de Nietzsche está o que ele chama de "inclinação para o poder", que para ele é a força motivadora básica de todas as coisas viventes. "Poder" não significa força bruta, ou dominação sobre outros, e sim algo próximo a "destemor". Desde que somos primariamente motivados pelo desejo de poder, aquilo que mais admiramos ou imitamos é o que deve melhor representar esse poder. Tais coisas (afirma Nietzsche) são auto-harmonia, autocontrole e auto-realização -- exemplificadas, por exemplo, por Sócrates calmamente tomando a taça de cicuta.

De um modo geral, estamos bem aquém desse Übermensch ideal. Longe de sermos senhores de nós mesmos, somos motivados principalmente pelo medo, pelos hábitos, superstições, ressentimentos e tudo o mais que compõe a "mentalidade de escravo". Desde que nascemos, somos treinados pela família, pela igreja e pela escola, para nos submetermos a regras e leis, agir segundo o padrão, acreditar em superstições, e nos escravizarmos a vários senhores. Cada coisa atribuída à "natureza humana" é na verdade apenas hábito. Crescemos preguiçosos e receosos de desafios e perigos, entorpecidos para as inspirações de nossa consciência interior.

Um mundo sem padrões de costumes ou sem alguém a quem obedecer é assustador, mas a alternativa é a escravidão e a alienação. Podemos nos render à sociedade ou podemos superar nosso medo e nos tornarmos criadores, em vez de meras criaturas. Criar é construir seu próprio entendimento do mundo, que de fato é caótico e está sempre mudando; ser criatura é submeter-se ao entendimento dos outros. Toda linguagem, do ponto de vista de Nietzsche, é uma interpretação mais ou menos inspirada, um tipo de "mentira". Se a linguagem engana, então é melhor -- mais verdadeiro para nós mesmos -- construirmos nossos próprios enganos. Isso é o que significa ser "super-homem".

O que não significa que devamos, por nossa vez, simplesmente nos tornarmos escravizadores. Tirania é o resultado, não de autonomia, mas de frustração: é simplesmente a expressão de mais ressentimento. O homem superior, em vez disso, vive a vida sem ressentimentos, e está realmente pronto, se a situação assim o exigir, para servir, bem como para liderar. (Para a maioria de nós, servir é algo parecido com escravidão). Controlando suas paixões e canalizando sua vontade, este ser que está acima do humano cria arte e filosofia, assegurando vida, alegria e todas as coisas boas.



Já ouviu falar daque louco que acendeu uma lanterna numa clara manhã, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: "Eu procuro Deus! Eu Procuro Deus!"Como muitos dos que nãoacreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muita risadas...

"Onde está Deus", ele gritava. "Eu devo dizer-lhes. Nós o matamos -- vocês e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos..."

Friedrich Nietzche, Gaia Ciência (1882), parte 125

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